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PRESS RELEASE – A FCT e os seus processos de avaliação

Nos últimos tempos, a Fundação para a Ciência e Tecnologia tem vindo a ser alvo de sucessivas críticas por parte da comunidade científica nacional. Tanto os resultados do concurso Investigador FCT como os do concurso de bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento foram contestados por vários elementos da comunidade científica.  As últimas notícias alertam para as falhas no mais recente processo avaliativo conduzido pela FCT: as avaliações aos centros de investigação.

Em todos estes distintos processos existem 3 críticas recorrentes: a aparente intenção de reduzir o financiamento da investigação nacional, a grave falta de transparência em que estes processos têm vindo a ser envolvidos e a aparente falta de estratégia continuada de longo prazo por parte da FCT.

Os processos de avaliação são fundamentais em sistemas onde se pretenda reforçar o empenho, a eficiência e a qualidade no trabalho. No entanto, uma avaliação, quer seja a pessoas ou a centros de investigação, deverá ser o mais rigorosa possível: só assim podemos assegurar que, efetivamente, estamos a premiar os investigadores e centros que o merecem. Isto, assumindo que é esse o objectivo da avaliação: continuar a investir em quem tem demonstrado empenho e sucesso e deixar de investir em que não o fez. No entanto, quaisquer que sejam os critérios escolhidos, uma avaliação só é rigorosa quando é transparente e isso é algo que, sistematicamente tem vindo a falhar. É preciso relembrar que, no campo da transparência, não existe uma gama de opções: ou se é transparente, ou não. Deste modo, deveria ter sido divulgada ainda durante a fase de discussão deste processo de avaliação a limitação da passagem à segunda fase de apenas 50% dos centros. No presente momento a transparência deste processo de avaliação não está garantida se a FCT não divulgar as indicações transmitidas à ESF para a segunda fase contidas no contrato assinado por ambas.

Igualmente preocupante é a aparente falta de estratégia continuada de longo prazo. Nos últimos 5 anos foram investidos milhões de euros em recursos humanos, com os programas Ciência e Investigador FCT. Com a recente divulgação da 1ª fase de avaliação, antecipam-se sérias consequências para o desenvolvimento das carreiras destes jovens investigadores, a desenvolver os seus trabalhos em centros que irão perder o seu financiamento base. Terminamos com uma pergunta: como justifica a FCT o investimento realizado nas últimas posições IF2012/IF2013 em centros que, outrora de excelência, correm agora o risco de perder o financiamento? O mesmo se pode referir aos milhões de euros de investimento realizado em equipamento em centros que não serão financiados.

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