ANICT

Towards a sustainable research career with progression based on merit

Destruir a Ciência? Não obrigado.

No dia 1 de Outubro de 2014 foi solicitado a várias entidades um pedido de parecer da proposta da ANICT para a restruturação da Carreira de Investigação Científica (CIC). O objetivo, já tornado público, foi o de trazer para a discussão pública, o maior número de investigadores, tentando assim encontrar formas de resolver os problemas identificados.

Nas reações ao documento apresentado pela ANICT, a FENPROF e o SNESup apontaram o que consideram algumas falhas da proposta mas, infelizmente não propuseram alternativas.

 

A ANICT gostaria de repudiar a afirmação da FENPROF de que somos uma associação “cavalo de Troia” do governo e acima de tudo repudia a linguagem utilizada na comunicação do SNESup.

 

Foram comentários absolutamente infelizes e mostram o desconhecimento total da atividade que a ANICT tem desenvolvido ao longo da sua existência. Nos poucos anos de existência, propusemos uma importante discriminação positiva para jovens investigadores, quer na captação de projetos de investigação, quer no recrutamento de bolseiros de investigação, o que, aliado ao enorme potencial humano que se verifica nesta talentosa geração de jovens investigadores, resultou num cenário sem precedentes em Portugal, com a maior taxa de criação de grupos de investigação independentes, liderados por jovens doutores. Propusemos também uma racionalização da distribuição de recursos humanos e financeiros pelos investigadores mais seniores, permitindo gerir mais eficientemente, e justamente, os limitados recursos disponíveis. Os Governos liderados pelo PS e PSD/CDS ouviram-nos, discutiram connosco as nossas propostas e implementaram muitas delas. Conseguimos isto partindo do zero, apenas com a colaboração de voluntários, sem uma estrutura criada há décadas e sem os recursos financeiros e logísticos disponíveis por outras entidades. Acresce a isto o facto de os membros da direcção da ANICT serem, sem exceção, investigadores precários ou bolseiros, que trabalham na associação por puras convicções pessoais, em regime de voluntariado, não recebendo qualquer contrapartida remuneratória pela atividade que aí desenvolvem.

 

Relembramos também o livre direito ao associativismo e ao direito de expressão, conquista fundamental dos Portugueses há cerca de 40 anos, num dos seus momentos mais elevados como povo. A ANICT teve desde o seu início uma atitude ativa e dialogante, independentemente da força política governante. A ANICT tem vindo a contar com o apoio dos seus associados e tentado ouvir a opinião de todos os investigadores em Portugal, para encontrar formas de tornar as suas carreiras mais sustentáveis e possibilitar o devido reconhecimento do mérito. Todas as medidas agora apresentadas têm vindo a ser discutidas com os nossos associados e demais investigadores que quiseram contribuir ao longo dos últimos anos, em várias das nossas discussões públicas (2010; 2011; 2012). Relembramos que nas reuniões tidas anteriormente entre a ANICT e os sindicatos, estas posições foram discutidas.

Queremos ainda reafirmar que os jovens investigadores Europeus devem ter a possibilidade de contribuir com o seu valor e com o seu esforço assim como o fizeram as gerações anteriores. Aliás, a discussão despoletada pela ANICT está também a ser levada a nível Europeu. Entende a ANICT ser seu dever, apresentar ideias para que isto seja possível e caminhar noutra direção que não a atual. A existência de comunidades bem distintas dentro do SCTN, uma com emprego para a vida e cheia de direitos adquiridos e outra totalmente precária e que essencialmente só tem deveres é absolutamente inaceitável. Os jovens investigadores Europeus esperam medidas efetivas para a criação de oportunidades. Não precisam de palavras, intenções ou propostas com medidas irrealistas.

Lembramos ainda que a ANICT foi fundada em 2010, precisamente pela inexistência, na prática, de entidades capazes de representar os interesses de todos os investigadores e de trabalhar eficientemente os problemas que se vislumbravam na altura (e que depois infelizmente se confirmaram). Esta atitude construtiva e de diálogo, que a ANICT privilegia, tem contribuído para a implementação de algumas medidas importantes mas que seguramente são insuficientes.

Terminamos reiterando o compromisso da ANICT em trabalhar, juntamente com os seus associados, na procura de medidas que tornem o sistema científico em Portugal mais justo e onde o mérito possa ser reconhecido e premiado.

Na visão da ANICT, o conceito de um documento em discussão é de um documento aberto a melhorias. Tendo já em conta as duas primeiras sessões e os contributos de quem desejou participar, esperemos que durante as restantes sessões públicas consigamos melhorar ainda mais o documento.

Pela direção da ANICT

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One response to “Destruir a Ciência? Não obrigado.

  1. Pingback: Apelo à participação na discussão pública | ANICT

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