ANICT

Towards a sustainable research career with progression based on merit

Bolseiros de investigação querem contratos de trabalho mesmo que isso implique redução do rendimento líquido

Comunicado de imprensa

Bolseiros de investigação querem contratos de trabalho mesmo que isso implique redução do rendimento líquido. Numa amostragem de 344 bolseiros de investigação, 96% dos inquiridos preferem perder entre 10 a 21% do seu rendimento líquido anual, de forma a verem dignificado o seu trabalho, materializado na constituição de um vínculo jurídico-laboral com as instituições onde desenvolvem as suas actividades de investigação.

Globalmente aceite como um dos grandes avanços de Portugal nas últimas décadas, com cada vez mais reconhecimento internacional, a Ciência Portuguesa ainda não conseguiu dignificar o trabalho científico desenvolvido pelos milhares de bolseiros, muitos deles doutorados, que ao contrário dos demais trabalhadores Portugueses, não têm direitos nem obrigações sociais, claramente violando princípios fundamentais da Constituição Portuguesa. Muitas vezes confundidos com estudantes, os bolseiros de projectos e de pós-doutoramento são verdadeiros trabalhadores que vêem constantemente negadas as suas justas ambições a serem reconhecidos como tal. E, embora se vá ouvindo alguns cientistas portugueses de renome internacional afirmar que ser bolseiro é bom (e que têm saudades do seu tempo de bolseiro), a incontestável verdade é que a grande maioria dos trabalhadores forçados a terem bolsas, discorda dessa apreciação.

Esta é a conclusão a que se pode chegar, analisando as respostas dadas por centenas de bolseiros que, durante o mês de Setembro, responderam a um inquérito lançado pela ANICT, onde se perguntava se “Aceitaria a passagem da sua bolsa a contrato de trabalho, assumindo que nessa conversão o seu rendimento anual bruto não sofria mudanças e estando disposto a suportar os custos com a segurança social e IRS?”

Com esta clara mensagem dos bolseiros de investigação, que preferiam pagar o IRS e as contribuições para a Segurança Social, torna-se agora imperativo que os nossos políticos encontrem uma solução urgente para resolver este problema, tantos anos ignorado.

Tendo em base este questionário, assim como os principais problemas indicados num questionário endereçado aos doutorados em Portugal, a ANICT irá, brevemente, apresentar uma proposta concreta de reestruturação da carreira de investigação e da criação do estatuto do trabalhador científico.

bolsas

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6 responses to “Bolseiros de investigação querem contratos de trabalho mesmo que isso implique redução do rendimento líquido

  1. Andrea Zille October 6, 2014 at 12:09 pm

    Por quanto claramente defendo a dignificação do nosso trabalho e a criação de contractos de trabalho. Não concordo com esta proposta, que acho não vai dignificar nada, ao contrario vamos passar de bolseiros a mão de obra barata cientifica. E não concordo com a forma com a qual direção da ANIC resolveu publicar esta comunicação de imprensa. Acho que tomadas de posição assim tao importante delicadas deveriam merecer um debate interno e não reduzir-se a um estéril SIM-NAO em uma sondagem.

    Cumprimentos

    Andrea Zille

    • nunocerca October 8, 2014 at 8:57 am

      Andrea, o documento enviado não é uma proposta da ANICT e isso está bem claro no documento. Essa proposta está, neste momento, em discussão interna (pelos associados ANICT) e será aberta ao público em geral muito brevemente.

  2. David Marçal October 6, 2014 at 7:39 pm

    Responderam 344 investigadores e a amostra está caracterizada com vários parâmetros. Mas qual é a representatividade da amostra, de acordo com esses parâmetros, face ao universo que procura representar (Já agora, qual é? Bolseiros? Interessados em bolsas em geral?) Por exemplo, a amostra tem 5% de licenciados. Qual é a percentagem de bolseiros licenciados? De investigadores licenciados? É parecido com 5%? De resto, a ABIC, a estrutura reconhecida pela tutela como interlocutor dos bolseiros, já disse que não concorda, pelo que isto me parece um pouco a história do escuteiro que quer obrigar a velhinha atravessar a rua, neste caso parece que quer atira-la para a frente dos carros.

    • nunocerca October 8, 2014 at 9:00 am

      Caro David – para além das bolsas individuais da FCT, existem bolsas de projectos FCT (e não só). Nesse universo, é nos totalmente desconhecido qual a percentagem de pessoas sem grau académico, licenciados, mestres, doutores. Assim, não nos é possivel responder à sua pergunta.

  3. Miguel Won October 8, 2014 at 12:19 am

    O documento base do inquérito não diz quantos bolseiros, e respectiva descriminação de bolseiros, responderam ao inquérito. Sem essa informação é muito difícil afirmar: “…estando os actuais
    trabalhadores de investigação, que usufruem de bolsa, dispostos a perder uma parte do seu
    rendimento líquido anual”.
    É necessário saber que grupo respondeu o quê. Os referidos 71% são principalmente bolseiros posdocs, doutorados, mestres ou não bolseiros? E onde estão os resultados das outras questões (2,3 3 4)?
    Também não percebo porque que é que todo o conjunto de questões está completamente enviesado para um cenário de corte de rendimento. Basta ver que o questionário está totalmente desequilibrado do ponto de vista estatístico. Qualquer que seja a flutuação estatística que pudesse acontecer, resultaria sempre na preferencia de um cenário geral onde o rendimento líquido desça (até o aumento de 20% o faz descer)….
    E o que é que teria custado terem colocado a simples opção: “Prefiro que a minha bolsa passe a um contrato a sério, sem quaisquer perdas de rendimento líquido.”?
    Peço desculpa mas este trabalho não está grande coisa. É pena, pois perdeu-se uma excelente oportunidade para obter informações fundamentais sobre a opinião dos bolseiros em Portugal.

    • nunocerca October 8, 2014 at 5:45 pm

      Caro Miguel, em relação às perguntas colocadas, toda essa informação está descrita nos documentos publicados (ver por exemplo figuras 8,9 e 11 dos resultados). No entanto, tem razão quando diz que as possibilidades de resposta estavam limitadas, mas isso está devidamente justificado no documento base colocado à consulta. Por outro lado, 71% dos inquiridos preferiria um contrato, a bolsa, mesmo sem aumento do rendimento bruto. A ANICT irá apresentar, muito em breve, uma proposta concreta, que será sujeita a ampla discussão pública. Convidá-mo-lo a aparecer.

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