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Towards a sustainable research career with progression based on merit

Petição Pela liberdade de investigação académica

Chamamos a atenção para uma Petição Pública em defesa da liberdade de investigação. A petição pode ser consultada e subscrita aqui.

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4 responses to “Petição Pela liberdade de investigação académica

  1. Ricardo Alves de Sousa Castro November 8, 2012 at 2:54 pm

    Ainda bem que apoiam esta petição, mas devo alertar-vos, caso não o estejam, que aquilo que defendem para o nosso setor implica uma maior precariedade e limitação da liberdade.

    Quando defendem a produtividade como único fator remuneratório e a aquisição individual de recursos, estam implicitamente a premiar quem mais produz, independentemente da qualidade. Estão também a pôr a investigação portuguesa nas mãos das empresas (vulgo mercado), que nunca terão preocupações de longo prazo, como a ciência precisa, nem se preocuparão com a verdade, algo a que um cientista está eticamente obrigado. Preocupar-se-ão sempre com o lucro que, no curto prazo, tem efeitos comprovadamente perversos para o alcance da nossa atividade.

    Há outras coisas que defendem que não são muito coerentes nem com verdade nem com liberdade de investigação. Escrevo-vos isto porque estão a tempo de alterar a linha de pensamento com que se norteiam, uma linha que é em tudo contrária ao que dizem defender e que me faz afastar completamente da vossa associação.

    Cumprimentos,
    Ricardo Castro
    Estudante de Doutoramento em Engenharia Industrial e Gestão da UP

  2. mjorgeanict November 8, 2012 at 3:24 pm

    Caro Ricardo,

    A nossa posição, como poderá facilmente comprovar, é de defesa da qualidade da investigação (e não apenas da quantidade, como tem sido habitual no nosso país). Nas nossas propostas está também acautelada a necessidade de planeamento a longo prazo da investigação e de trabalho em colaboração, que são obviamente essenciais para realizar trabalho científico de qualidade. Finalmente, temos também propostas concretas para fomentar a ética na investigação. Não defendemos de modo nenhum a subordinação da investigação a lógicas de mercado e de lucro. O que não podemos, contudo, é aceitar que se mantenham as situações de complacência, injustiça e por vezes compadrio, que minam o sistema científico nacional.

    Convido-o a ler com atenção as nossas propostas, que poderá encontrar na secção de documentação, e contrastá-las com a realidade do sistema científico nacional. Facilmente perceberá que só com reformas significativas, por vezes fracturantes, poderemos almejar a ter um tecido científico de excelência a nível internacional.

    Cumprimentos,
    Miguel Jorge

    • Ricardo Alves de Sousa Castro November 8, 2012 at 3:46 pm

      Eu compreendo perfeitamente as vossas preocupações e desilusões e partilho das mesmas. No entanto, as reformas que propõe têm o efeito perverso de as poder aumentar e não diminuir. Desempenho de excelência é algo que todos buscamos mas que é muito dificilmente quantificável (eu diria mesmo impossível) e, por conseguinte, operacionalizável em avaliações ditas mais justas. O fator humano nunca será substituível numa avaliação. Assim sendo, buscar a punição ou a discriminação forçada, como defendem, trará como consequência que os menos capazes farão de tudo para ludibriar o sistema e alcançar as posições de dominância (usando, nomeadamente, de forma recursiva o poder que já têm) e influenciar a sua perpetuação. Aliás, é desta forma que algumas pessoas se perpetuam no poder. O que digo, é que o que defendem, vai agravar ainda mais a situação atual e não melhorá-la, pelos efeitos que descrevi anteriormente.
      Eu não defendo que tudo se mantenha, atenção, mas não me parece que a lógica punitiva ou de promoção pessoal seja a melhor. Acho que nós, jovens investigadores, devemos lutar, isso sim, por um sistema mais igual, que nos permita a todos ter oportunidades, que se manifestam pelo acesso ao conhecimento e aos recursos. E isto só se faz com uma diminuição das limitações. O que é bom sobressai e sobressai mais quando não há espartilhos porque assim o que é mau não tem nem com que se justificar nem forma de atenuar o efeito das coisas boas que se façam.
      Por isso volto a repetir, por muito bem intencionados que estejam, o que defendem pode trazer-vos muitos dissabores (nem tudo é controlável pela nossa ação, apesar de nós sermos responsáveis por influenciar todo o nosso contexto) e pode levar-vos a perpetuar aquilo contra o que dizem lutar.
      Ainda assim, estão sempre a tudo de reconsiderar e pensar em arranjar alternativas mais positivas para, de forma coletiva, melhorarmos o nosso sistema de investigação científica e melhorarmos o nosso país e, não sejamos modestos, o mundo, que a ciência é a da humanidade.

      Cumprimentos,
      Ricardo Castro

      • Manuel January 9, 2013 at 6:16 pm

        Aqui à uns tempos só se ouvia falar de sinergias, ele era sinergia para tudo! Bem, agora pelos vistos o lote aumentou, ele é “Excelência” ele é “Desempenho” ele é “Refundação”, ele é “Alavancar” bem pelos vistos por aqui não se nota a crise. Vivemos num país de papagaios e araras em que as pessoas se repetem até à exaustão num exercício de comiseração orgástico sem terem muito bem (ou a completa) noção do significado do que dizem ou fazem! Vamos lá ser razoáveis, o que se faz em Portugal no campo da ciência é 99,99% inconsequente. Umas quantas cotadas povoadas por uma odre de doutorados maltrapilhos, para justificar o Belo ordenado do “Chefe Mor”. O dinheiro esse lá vai sendo distribuído consoante a cor da moda! E os chefes, esses vão viajando e de vez em quando lá vão aparecendo na televisão alimentando o seu ego, e o dos seus súbitos, quando dá jeito à máquina da propaganda Governamental e com o objetivo de ir enganado os portugueses e sacar mais algum. Mas a realidade é bem diferente e não se compadece com as misoginias de uns quantos incompetentes que tem vindo a brincar com a vida dos portugueses. No que respeita a uma área tão importante como é a ciência e que necessita de abundantes verbas, se quisermos ser sérios e ter respeito pelos recursos que nos são disponibilizados em primeiro lugar à que definir meia dúzia de sectores estratégicos e enquadrados na realidade portuguesa; Construir 3 ou 4 centros de investigação (houve dinheiro para construir estádios de futebol …) com competências complementares (não nos podemos dar ao luxo de ter grupos a fazer a mesma coisa) independentes das universidades e dos seus caciques, com uma gestão transparente …etc … e energicamente sustentáveis (as faturas da eletricidade da água e manutenção dos edifícios são atualmente um dos principais sorvedouros dos orçamentos dos departamentos); Proceder à contratação de um quadro de investigadores em concursos que manifestamente materializem o disposto na constituição da republica, e não contaminados à partida por interesses particulares (hoje é por demais evidente que mtos dos concursos são arquitetados para determinada pessoa); … Etc .

        A estrutura do atual sistema cientifico nacional não serve nem PORTUGAL, nem os portugueses, nem a Ciência, nem os investigadores que vivem situações de precariedade que nem lembra ao diabo.

        Dentro de 1 a 2 décadas vamos assistir a situações altamente chocantes e de que será exemplo ter-se pessoas que dedicaram uma vida à investigação, mas sempre financiadas através de esquemas de bolsas sem descontos para a S.Social ou inscritos no SSV pelo escalão mínimo, com pensões de reforma Absurdamente mais Baixas às de colegas, pessoas com habilitações, responsabilidades e desempenhos semelhantes (e inferiores)! Um País Injusto nunca poderá ser bem sucedido, o sentido de justiça é a base da realimentação da motivação e da harmonia social.

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